Qual foi a última vez que você atualizou suas senhas online?

Acompanhando de forma criteriosa o avanço das tecnologias digitais no mundo, observo de perto as necessidades e melhores práticas para a segurança das informações que trafegam pela Internet diariamente. Do uso pessoal ao cotidiano profissional, é mais uma questão de mentalidade.

Na mídia já é comum notícias sobre roubo de informação, espionagem industrial, golpes online, etc. Os reincidentes acontecimentos referentes ao bloqueio do WhatsApp no Brasil, além de várias tentativas semelhantes pelo mundo, bem como as crises de terrorismo que se espalham cada vez mais… Tudo isso me faz crer que não estamos cuidando verdadeiramente de nossas informações, nosso capital intelectual.

Não era assim antes, e muito menos agora, num mundo hiperconectado e com comunicação instantânea.

Particularmente, sou de navegar em abas anônimas em redes abertas, clicar em “Sair” depois de acessar uma caixa de e-mails. Pendrive é quase uma escova de dente, ou seja, não compartilho (já comprei muitos pendrives para “presentear” por aí). Também configuro os navegadores de Internet para não armazenarem históricos ou senhas, tão pouco utilizo uma mesma senha fraca de 4 ou 6 dígitos para tudo. Uso navegação por VPN em locais públicos ou redes desconhecidas. E mais recentemente, passei a usar meu próprio Modem Wi-Fi com chip 4G — que uso tanto no laptop quanto para conexão mobile.

“Tudo isso, pra quê?”

Minha vida é transparente tanto quanto possível – para os que amo e para os que me olham devagar. Não tenho o que esconder, no sentido de levar uma vida intencional e bem determinado a ser conhecido muito mais por minhas atitudes.

Todos temos o que esconder quando o assunto é segurança de informações. Ou você deixaria a senha do seu cartão de crédito tatuada no braço?

Se me perguntam, respondo. Só falo daquilo que conheço por experiência própria ou porque fui até a fonte para descobrir por mim mesmo. Além disso, acredito que “saber” é um processo e não um resultado. Estamos sempre aprendendo e acredito que um dia todos prestaremos conta do que fizemos ou deixamos de fazer – para nós mesmos, para os outros.

Por outro lado, todos temos o que esconder quando o assunto é segurança de informações. Ou você deixaria a senha do seu cartão de crédito tatuada no braço? Você gostaria de compartilhar com a concorrência o planejamento estratégico da sua empresa para o próximo ano? Perguntas óbvias, eu sei. Mas acredite: tem gente vivendo com rotinas absurdas quanto à segurança de dados pessoais.

Compartilho aqui um pouco da minha preocupação em melhorar a segurança das nossas informações pessoais e/ou profissionais. Não são informações novas mas precisamos lembrar constantemente de colocar em prática, certo?

Basicamente, adotei com mais rigor 3 melhores práticas de segurança, que incluem o uso cauteloso de aplicativos e o bom senso na navegação online.

Encrypto, app da renomada produtora Macpaw (Foto: Reprodução)

1. Ao enviar e receber arquivos

Passei a usar criptografia de arquivos quando preciso enviar materiais a algum cliente ou parceiro de negócio — quer seja por e-mail, nuvem ou pendrive. Para isso, há o app gratuito Encrypto (Windows/Mac), o Firefox Send, que utiliza o próprio browser como plataforma e uma dezena de outros apps fáceis de usar em computadores Windows, Mac e/ou Linux.

Firefox Send permite enviar e receber arquivos com segurança via navegador de Internet (Foto: Reprodução)

De forma prática, é possível criptografar qualquer arquivo ou pasta com AES 256 bits, um nível muito alto de segurança.

No caso do Encrypto, basta ter o mesmo software instalado para descriptografar o conteúdo recebido.

2. Ao gerenciar senhas, documentos pessoais, redes sociais

Passei a usar o famoso e poderoso 1Password, que funciona com o conceito de “cofres de senhas”. O próprio nome do software sugere: basta apenas “uma senha” (obviamente bem complexa) para acessar todas as informações seguras (logins, notas, cartões de crédito, etc).

App 1Password (Agile Bits) funciona com cofres digitais para armazenar dados seguros em múltiplos dispositivos (Foto: Divulgação)

Outro app bastante confiável é o EnPass, que também cumpre bem o propósito de gerenciar todas as senhas em um único local. E com uma única senha mestre (criptografada e que só você tem acesso), você acessa os dados que armazena de forma segura.

Já imaginou perder senhas importantes? E com tanta informação aumentando no mundo, esquecer é cada vez mais comum. Obviamente, não dá pra ficar usando a mesma senha toda vez ou anotar em um bilhete guardado no bolso que se perde na lavagem de roupas…

Com um app seguro de criptografia 256 bits, é possível gerenciar senhas para redes sociais, contas bancárias, formulários online, e-mails, etc. Veja os recursos disponíveis em cada um e escolha o seu favorito. Alguns desses apps armazenam tudo unicamente no dispositivo. Outros sincronizam com a sua nuvem favorita (DropBox, Google Drive, etc).

3. Os dados pessoais ou profissionais no HD do meu computador

No dia a dia, utilizo laptops com Windows, Linux ou Apple Mac OS. E mesmo com softwares Antivírus e Firewall instalados, nada é totalmente seguro quando se trata de tecnologia. Mas negligenciar a segurança dos seus dados é, no mínimo, insensatez.

Hider é um app que protege arquivos e pastas no HD do computador (Foto: Reprodução)

Após vários casos de pessoas perdendo informações importantes (inclusive eu mesmo já perdi no passado HDs inteiros por questões bobas de não fazer backup antes da forte tempestade), todo cuidado continua sendo pouco.

Em casos assim, há também o Hider da mesma produtora do Encrypto. Ele transforma o HD num “cofre”, com diversos recursos importantes para proteger pastas e arquivos, também com a criptografia de alta segurança. Caso você perca seu equipamento ou qualquer outro incidente imprevisível, o seu capital intelectual não será afetado.

Há alguns anos, meu irmão foi vítima de um golpe online. Através de uma aplicação maliciosa recebida online, crackers “trancaram” seus arquivos e o forçaram a pagar – em dólar – quase R$ 3 mil reais para que ele recuperasse o conteúdo do HD, em sua maior parte, material de trabalho fotográfico para seus clientes sempre ansiosos por verem a obra prima que ele faz.

Um prejuízo estimado em quase R$ 50 mil reais não fosse o dinheiro pago aos crackers, mesmo após diversas tentativas de resolver o problema sem colocar a mão no bolso.

Calma, sim. Paranoia, não.

Pode parecer coisa dos filmes de James Bond mas o assunto é sério. O mundo está e continuará hiperconectado. Viver é a coisa mais imprevisível que há na existência humana.

Mas não há razão para pânico. E para tanto, é imprescindível que nossa utilização dos meios digitais seja cada vez mais organizada, pautada em melhores práticas e, assim sendo, menos vulnerável possível.

Espero que minha experiência possa contribuir de alguma forma para sua rotina online, com o uso consciente e prático das ferramentas tecnológicas na transformação digital.

Converse com sua família e as pessoas que trabalham com você. Todo cuidado é pouco. Mas quem cuida tem melhores chances de viver mais feliz e com maior significado em tudo que faz.

E você, o que faz para melhorar a segurança de suas informações? Compartilhe sua experiência e comente abaixo.

Grande abraço e… não esqueça de clicar em “Sair” no Facebook ou na caixa de e-mails aberta na aba ao lado. 😉